domingo, 24 de novembro de 2013

Em pouco tempo, Gilvan conseguiu recuperar o clube


A conquista do Campeonato Brasileiro 2013 marca o primeiro título do Cruzeiro após o fim da era Perrella, encerrada em 2011, quando Gilvan de Pinho, então apoiado pelo ex-presidente Zezé Perrella, assumiu o clube. O tricampeonato nacional é a primeira conquista da administração Gilvan, mas nem tudo foi festa no começo do seu mandato. Gilvan pegou o clube 'quebrado' financeiramente e mal na parte técnica.

A primeira missão foi livrar a Raposa do rebaixamento no Brasileirão de 2011, objetivo alcançado somente na última rodada do campeonato, com a histórica goleada de 6 a 1 sobre o Atlético. O ano seguinte também não seria fácil. Gilvan tinha que estancar a sangria financeira do clube e, ao mesmo tempo, montar uma equipe competitiva. E, aos poucos, conseguiu. Apesar de não brigar pelo título nacional em 2012, o clube não correu risco de queda. Fora de campo, conseguiu sair do vermelho. O caminho para voltar a brigar por títulos começava a se abrir.
"O caixa, quando eu assumi, todo mundo sabe disso, foi público e notório, faltou dinheiro para pagar os jogadores no primeiro mês da minha gestão. Nós tivemos que lutar contra isso, inclusive receitas de cotas de televisão e de patrocinadores de camisas já empenhadas (antecipadamente). Nós tivemos que enxugar a casa e diminuir os custos, para montar um time em 2012 para não ser rebaixado”, confessou o presidente na última quinta-feira, em entrevista ao Programa Bastidores.

A reviravolta do clube e a conquista começou com polêmica. Contrariando a maioria da torcida, Gilvan bancou a contratação de Marcelo Oliveira, técnico de ligação histórica com o Atlético.  Gilvan foi até ameaçado de morte por alguns torcedores, mas manteve-se firme.
Apesar de ter perdido o Campeonato Mineiro, o Cruzeiro fez um primeiro semestre promissor. No entanto, a torcida ainda mantinha desconfiança com relação ao desempenho do clube no Campeonato Brasileiro, competição com elevado nível técnico. Com a chegada de jogadores como o zagueiro Dedé e o atacante Willian, o time encaixou e deslanchou no Brasileirão. Empolgada, a torcida vestiu a camisa e passou a empurrar a equipe nos jogos disputados no Mineirão.

Confiante, o Cruzeiro assumiu a ponta definitivamente na 16ª rodada e não saiu mais do topo. O título desta quarta-feira coloca fim ao jejum de quase 10 anos sem uma conquista nacional e consagra a administração Gilvan.




Críticas de Perrella

No começo deste ano, o ex-presidente Zezé Perrella veio a público criticar a administração de Gilvan, que não queria negociar o argentino Montillo. “Gilvan alegou que não encontrou dinheiro no caixa e realmente não encontrou, mas o Cruzeiro nunca teve dinheiro em caixa, dinheiro sobrando. Se tivesse vendido o Montillo, todos os problemas estariam resolvidos”, destacou Zezé Perrella, em janeiro.

“Fiquei lá 17 anos sem nunca ter atrasado salário, se tivesse vendido o Montillo isso não teria acontecido. A administração Perrella ganhou 23 títulos com essa política (vender jogadores), porque quando você vende, consegue também comprar, nós nunca vendemos por achar bonito, mas por saber das dificuldades e eu nunca tive medo de torcedor. Eu fazia o que tinha de fazer para não atrasar salário”, disse Zezé, citando suas gestões e também a do seu irmão Alvimar de Oliveira Costa.

Por necessidade e pressão do próprio jogador, Gilvan negociou o argentino com Santos. No entanto, usou o dinheiro para investir em atletas com potencial, muito deles indicado pelo técnico Marcelo Oliveira. O meia Éverton Ribeiro e volante Nilton são alguns exemplos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário