A conquista do Campeonato Brasileiro 2013 marca
o primeiro título do Cruzeiro após o fim da era Perrella, encerrada em 2011,
quando Gilvan de Pinho, então apoiado pelo ex-presidente Zezé Perrella, assumiu
o clube. O tricampeonato nacional é a primeira conquista da administração
Gilvan, mas nem tudo foi festa no começo do seu mandato. Gilvan pegou o clube
'quebrado' financeiramente e mal na parte técnica.
A primeira missão foi livrar a Raposa do
rebaixamento no Brasileirão de 2011, objetivo alcançado somente na última
rodada do campeonato, com a histórica goleada de 6 a 1 sobre o Atlético. O ano
seguinte também não seria fácil. Gilvan tinha que estancar a sangria financeira
do clube e, ao mesmo tempo, montar uma equipe competitiva. E, aos poucos,
conseguiu. Apesar de não brigar pelo título nacional em 2012, o clube não
correu risco de queda. Fora de campo, conseguiu sair do vermelho. O caminho
para voltar a brigar por títulos começava a se abrir.
"O caixa, quando eu assumi, todo mundo
sabe disso, foi público e notório, faltou dinheiro para pagar os jogadores no
primeiro mês da minha gestão. Nós tivemos que lutar contra isso, inclusive
receitas de cotas de televisão e de patrocinadores de camisas já empenhadas
(antecipadamente). Nós tivemos que enxugar a casa e diminuir os custos, para
montar um time em 2012 para não ser rebaixado”, confessou o presidente na
última quinta-feira, em entrevista ao Programa Bastidores.
A reviravolta do clube e a conquista começou
com polêmica. Contrariando a maioria da torcida, Gilvan bancou a contratação de
Marcelo Oliveira, técnico de ligação histórica com o Atlético. Gilvan foi até ameaçado de morte por alguns
torcedores, mas manteve-se firme.
Apesar de ter perdido o Campeonato Mineiro, o
Cruzeiro fez um primeiro semestre promissor. No entanto, a torcida ainda
mantinha desconfiança com relação ao desempenho do clube no Campeonato
Brasileiro, competição com elevado nível técnico. Com a chegada de jogadores
como o zagueiro Dedé e o atacante Willian, o time encaixou e deslanchou no
Brasileirão. Empolgada, a torcida vestiu a camisa e passou a empurrar a equipe
nos jogos disputados no Mineirão.
Confiante, o Cruzeiro assumiu a ponta
definitivamente na 16ª rodada e não saiu mais do topo. O título desta
quarta-feira coloca fim ao jejum de quase 10 anos sem uma conquista nacional e
consagra a administração Gilvan.
Críticas de Perrella
No começo deste ano, o ex-presidente Zezé
Perrella veio a público criticar a administração de Gilvan, que não queria
negociar o argentino Montillo. “Gilvan alegou que não encontrou dinheiro no caixa
e realmente não encontrou, mas o Cruzeiro nunca teve dinheiro em caixa,
dinheiro sobrando. Se tivesse vendido o Montillo, todos os problemas estariam
resolvidos”, destacou Zezé Perrella, em janeiro.
“Fiquei lá 17 anos sem nunca ter atrasado
salário, se tivesse vendido o Montillo isso não teria acontecido. A
administração Perrella ganhou 23 títulos com essa política (vender jogadores),
porque quando você vende, consegue também comprar, nós nunca vendemos por achar
bonito, mas por saber das dificuldades e eu nunca tive medo de torcedor. Eu
fazia o que tinha de fazer para não atrasar salário”, disse Zezé, citando suas
gestões e também a do seu irmão Alvimar de Oliveira Costa.
Por necessidade e pressão do próprio jogador,
Gilvan negociou o argentino com Santos. No entanto, usou o dinheiro para
investir em atletas com potencial, muito deles indicado pelo técnico Marcelo
Oliveira. O meia Éverton Ribeiro e volante Nilton são alguns exemplos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário